"Somos todos retalhos de uma textura tão disforme e diversa que cada pedaço, cada momento, faz o seu jogo. E existem tantas diferenças entre nós e nós próprios como entre nós e os outros."
Michel de Montaigne
imagens
as imagens mostradas aqui são cacos colhidos, na sua grande maioria, de sites da internet. existem cacos colhidos ao acaso, que posso ter deixado de mencionar onde os colhi, tal minha ignorância ou encantamento. desculpem por isso. algumas imagens são minhas, do meu imenso baú de memórias...
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
A sua lembrança me dói tanto Eu canto pra ver Se espanto esse mal Mas só sei dizer Um verso banal Fala em você Canta você É sempre igual
Sobrou desse nosso desencontro Um conto de amor Sem ponto final Chico Buarque
domingo, 1 de novembro de 2009
Tô bem assim, bem indiferente. O coração, um cactus. Não me importo mais."
Caio Fernando Abreu
sábado, 31 de outubro de 2009
O melhor da vida foi conhecer-te
e amar-te, alheio ao correr dos anos.
Tudo o mais, que umas vezes me diverte
e outras me traz desenganos,
apenas prova que já perdi
a memória do tempo anterior a ti.
Torquato da Luz
A intenção da água é o mar
a intenção de mim és tu.
Mia Couto
Magoa-me a saudade do sobressalto dos corpos ferindo-se de ternura dói-me a distante lembrança do teu vestido caindo aos nossos pés
Magoa-me a saudade do tempo em que te habitava como o sal ocupa o mar como a luz recolhendo-se nas pupilas desatentas
Seja eu de novo a tua sombra, teu desejo, tua noite sem remédio tua virtude, tua carência eu que longe de ti sou fraco eu que já fui água, seiva vegetal sou agora gota trémula, raiz exposta
Traz de novo, meu amor, a transparência da água dá ocupação à minha ternura vadia mergulha os teus dedos no feitiço do meu peito e espanta na gruta funda de mim os animais que atormentam o meu sono
Obrigado à vida que me tem dado tanto deu-me dois olhos que, quando os abro perfeitamente distingo o preto do branco e no alto céu, o seu fundo estrelado e nas multidões, o homem que eu amo.
Obrigado à vida que me tem dado tanto deu-me o ouvido que, em toda a amplitude, grava, noite e dia, grilos e canários martelos, turbinas, latidos, chuviscos e a voz tão terna do meu bem amado.
Obrigado à vida que me tem dado tanto deu-me o som e o abecedário e, com ele, as palavras com que penso e falo mãe, amigo, irmão e luz iluminando a rota da alma de quem estou amando.
Obrigado à vida que me tem dado tanto deu-me a marcha dos meus pés cansados com eles andei por cidades e charcos, praias e desertos, montanhas e planícies pela tua casa, tua rua e teu pátio.
Obrigado à vida que me tem dado tanto deu-me o coração que todo se agita quando vejo o fruto do cérebro humano, quando vejo o bem tão longe do mal, quando vejo no fundo do teus olhos claros.
Obrigado à vida que me tem dado tanto deu-me o riso e deu-me o pranto assim eu distingo a felicidade da tristeza, os dois materiais de que é feito o meu canto e o canto de todos, que é o meu próprio canto
“A vida se retrata no tempo formando um vitral, de desenho sempre incompleto, de cores variadas, brilhantes, quando passa o sol. Pedradas ao acaso acontece de partir pedaços ficando buracos, irreversíveis. Os cacos se perdem por aí. Às vezes eu encontro cacos de vida que foram meus, que foram vivos. Examino-os atentamente tentando lembrar de que resto faziam parte. Já achei caco pequeno e amarelinho que ressuscitou de mentira, um velho amigo. Achei outro pontudo e azul, que trouxe em nuvens um beijo antigo. Houve um caco vermelho que muito me fez chorar, sem que eu lembrasse de onde me pertencera.“
Maria Antônia de Oliveira
sábado, 26 de setembro de 2009
Do tempo que me devora me nasce a fome de ser. Minha força vem da frágil flor ferida que se entreabre resgatada pelo orvalho da vida que já vivi.
Thiago de Melo
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Toda poesia é uma despedida. Você disse adeus e deixou em mim um vazio descomunal. Desde então, encobri minha dor com um manto azul: um amor e uma mágoa. Eu lavei meu rosto com palavras triste quando acenou-me tchau. De vez em quando, todos os olhos se voltam contra meus passos distraídos. No fundo, a espera que eu seja algo maior que eu sou. (...) Caio Fernando Abreu
'eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual a mim'
Ana Jácomo
“Um domingo de tarde sozinha em casa dobrei-me em dois para a frente - como em dores de parto - e vi que a menina em mim estava morrendo. Nunca esquecerei esse domingo. Para cicatrizar levou dias. E eis-me aqui. Dura, silenciosa e heróica. Sem menina dentro de mim.”
clarice lispector
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Saudade Via você na janela na distância, na solidão na penumbra do amanhecer. Via você na noite, nas estrelas, nos planetas, nos mares, no brilho do sol e no anoitecer. Via você no ontem , no hoje, no amanhã... ... Que saudade...
... Se você fosse chuva Eu me deixava molhar de prazer Dançava na rua pra ter Minha roupa bem molhada Minha alma encharcada Se chovesse você
Eliana Printes
domingo, 6 de setembro de 2009
O Menino que Carregava Água na Peneira . Tenho um livro sobre águas e meninos. Gostei mais de um menino que carregava água na peneira. A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos. A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos. Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio. Falava que os vazios são maiores e até infinitos. Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito porque gostava de carregar água na peneira Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que carregar água na peneira. No escrever o menino viu que era capaz de ser noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo. O menino aprendeu a usar as palavras. Viu que podia fazer peraltagens com as palavras. E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase. Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela. O menino fazia prodígios. Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura. A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta. Você vai carregar água na peneira a vida toda. Você vai encher os vazios com as suas peraltagens e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos
"Chaminé em minha casa seria para entrar o céu e não para sair fumaça." Mia Couto
"Eu revirei tuas páginas até encontrar as palavras que falavam de mim. Desencapei teu livro em busca de uma dedicatória qualquer em vão: só havia silêncios. Reli todas as notas do autor e do revisor. Não havia respostas. Não havia entrelinhas. Procurei nos índices e nos anexos. Nada. No livro desbotado e amarelecido de tua vida nenhuma palavra sobre mim."
Clara Vasconcellos
domingo, 23 de agosto de 2009
não se encontrarão os meus olhos nos teus olhos. Já não se adoçará junto a ti a minha dor, mas por onde for levarei o teu olhar e para onde fores levarás a minha dor."
Pai...Mãe...de olhos mansos, sei que estás invisível em todas as coisas. Que o teu nome me seja doce, a alegria do meu mundo. Traze-nos as coisas boas em que tens prazer: o jardins, as fontes, as crianças, o pão e o vinho, os gestos ternos, as mãos desarmadas, os corpos abraçados... Sei que desejas dar-me o meu desejo mais fundo, desejo cujo nome esqueci... mas tu não esqueces nunca. Realiza pois o teu desejo para que eu possa rir. Que o teu desejo se realize em nosso mundo, da mesma forma como ele pulsa em ti. Concede-nos contentamento nas alegrias de hoje: o pão, a água, o sono... Que nossos olhos sejam tão mansos para com os outros como os teus o são para conosco. Porque, se formos ferozes, não poderemos acolher a tua bondade. E ajuda-nos para que não sejamos enganados pelos desejos maus. E livra-nos daquele que carrega a morte dentro dos próprios olhos. Amém.
Rubem Alves
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Conhecimento é coisa erótica, que engravida. Mas é preciso que o desejo faça o corpo se mover para o amor. Caso contrário, permanecem os olhos, impotentes e inúteis. Para conhecer é preciso primeiro amar.
Prefiro rosas, meu amor, à pátria, E antes magnólias amo Que a glória e a virtude.
Logo que a vida me não canse, deixo Que a vida por mim passe Logo que eu fique o mesmo.
Que importa àquele a quem já nada importa Que um perca e outro vença, Se a aurora raia sempre,
Se cada ano com a Primavera As folhas aparecem E com o Outono cessam? E o resto, as outras coisas que os humanos Acrescentam à vida, Que me aumentam na alma?
Nada, salvo o desejo de indiferença E a confiança mole Na hora fugitiva.
E a vida foi passando, foi passando... E, à força de esperar a tua vinda, De cada braço fiz mudo cipreste. A vida foi passando, foi passando... E nunca mais vieste!
Os encontros mais importantes já foram combinados pelas almas, antes que os corpos se vejam.
Clarice Lispector
quarta-feira, 27 de maio de 2009
"E eis que sinto que em breve nos separaremos. Minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão. Que às vezes se extasia como diante de fogos de artifício. Sou só e tenho que viver uma certa glória íntima que na solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio. Guardo o seu nome em segredo. Preciso de segredos para viver."
Clarice Lispector
quinta-feira, 14 de maio de 2009
"Quem vai pensar em você quando eu estiver morta?" (do filme "o passado" hector barbenco)
"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso."
Caio Fernando Abreu
terça-feira, 12 de maio de 2009
Coisas da gaveta
fotos tremidas. poemas sem rima. papéis amassados. amores não ditos. rabiscos mal feitos. páginas de livros. rascunhos rasgados. projetos falidos. postal desbotado. letra de música. envelope lacrado. carta não lida. lágrimas secas. sentimentos fechados. gaveta trancada. chave perdida.
Eduardo Baszczyn
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Nunca houve palavras para gritar a tua ausência
Apenas o coração Pulsando... ... e eu descobri as minhas mãos sem as tuas.
joaquim pessoa
domingo, 3 de maio de 2009
...pois você sumiu no mundo sem me avisar e agora eu era um louco a perguntar: o que que a vida vai fazer de mim? C. Buarque
sábado, 2 de maio de 2009
"Eu sei de muito pouco, mas tenho a meu favor tudo que não sei. Tudo que não sei é a minha parte maior e melhor: é a minha largueza. É com ela que eu compreenderia tudo. Tudo que não sei é que constitui a minha verdade." Clarice Lispector
"Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece..."Clarice Lispector
domingo, 26 de abril de 2009
domingo, 19 de abril de 2009
“O jardim é o rosto de nossas entranhas; somos o jardim que plantamos. Ou o jardim que amamos, sem que o tenhamos plantado, mas que outro plantou. E quando isso acontece, podemos ter certeza de que sonhamos sonhos parecidos. É possível que possamos nos tornar conspiradores… Eu e o outro jardineiro. O fim de todo trabalho cósmico foi a criação de um jardim. O jardim é o fim de tudo que se faz. Puro prazer, ressurreição do corpo…” Rubem Alves (O Jardim, em O Quarto do Mistério, 1995)
sábado, 18 de abril de 2009
Dizem que a separação nunca é um núcleo, uma urgência. Dizem que ela começa em seu avesso. E que é justamente no momento mais suave, o primeiro encontro, o primeiro olhar, que a separação começa a existir. Eu prefiro acreditar que a separação nunca termina, e que o último dia, a última noite, é um instante que se repete, a cada espera, a cada volta, cada vez que sinto a tua falta, cada vez que pronuncio teu nome. Eu acredito que, ao te chamar, uma estratégia, um encanto, eu seja capaz de fazer com que você se vire e olhe, e, sem perceber, estenda entre nós um atalho, uma ponte.
Carola Saavedra, in “Flores Azuis”
Encostei-me a ti, sabendo que eras somente onda. Sabendo bem que eras nuvem depus a minha vida em ti. Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil, fiquei sem poder chorar, quando caí.
Cecília Meirelles
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Usámos a dois: estações do ano, livros e uma música. As chaves, as taças de chá, o cesto do pão, lençóis de linho e uma cama. Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados, gastos. Cumprimos o regulamento de um prédio. Dissémos. Fizémos. E estendemos sempre a mão.
Apaixonei-me por Invernos, por um septeto vienense e por Verões. Por mapas, por um ninho de montanha, uma praia e uma cama. Ritualizei datas, declarei promessas irrevogáveis, idolatrei o indefinido e senti devoção perante um nada,
(— o jornal dobrado, a cinza fria, o papel com um apontamento)sem temores religiosos, pois a igreja era esta cama.
De olhar o mar nasceu a minha pintura inesgotável. Da varanda podia saudar os povos, meus vizinhos. Ao fogo da lareira, em segurança, o meu cabelo tinha a sua cor mais intensa. A campainha da porta era o alarme da minha alegria.
Não te perdi a ti, perdi o mundo.
Perda - Ingeborg Bachmann, in "o tempo aprazado" assírio & alvim (1992)
Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente.
Martha Medeiros
Pensar em ti é coisa delicada. É um diluír de tinta espessa e farta e o passá-la em finíssima agua com um pincel de marta. Um pesar grãos de nada em mínima balança um armar de arames cauteloso e atento, um proteger a chama contra o vento, pentear cabelinhos de criança. Um desembaraçar de linhas de costura, um correr sobre lã que ninguém saiba e ouça um planar de gaivota como um lábio a sorrir, Penso em ti com tamanha ternura como se fosses vidro ou película de louça que apenas como o pensar te pudesses partir.
António Gedeão
Lembro-me de ti Nesse instante absoluto, A vida conduzida por um fio de música. Intenso e delicado, ele vai-nos fechando num casulo Onde tudo será permitido. Se é só isso que podemos ter, Que seja forte. Que seja único. Tão íntimo quanto ouvirmos a mesma melodia, Tendo o mesmo - esplêndido - pensamento.
Lya Luft
terça-feira, 7 de abril de 2009
“Da vocação:
Na vocação para a vida está incluído o amor, inútil disfarçar, amamos a vida. E lutamos por ela dentro e fora de nós mesmos. Principalmente fora, que é preciso um peito de ferro para enfrentar essa luta na qual entra não só fervor mas uma certa dose de cólera, fervor e cólera. Não cortaremos os pulsos, ao contrário, costuraremos com linha dupla todas as feridas abertas. E tem muita ferida porque as pessoas estão bravas demais, até as mulheres, umas santas, lembra?
Costurar as feridas e amar os inimigos que odiar faz mal ao fígado, isso sem falar no perigo da úlcera, lumbago, pé frio. Amar no geral e no particular e quem sabe nos lances desse xadrez-chinês imprevisível. Ousar o risco. Sem chorar, aprendi bem cedo os versos exemplares, não chores que a vida/é luta renhida. Lutar com aquela expressão de criança que vai caçar borboleta, ah, como brilham os olhos de curiosidade. Sei que as borboletas andam raras mas se sairmos de casa certos de que vamos encontrar alguma… O importante é a intensidade do empenho nessa busca e em outras. Falhando, não culpar Deus, oh! por que Ele me abandonou? Nós é que O abandonamos quando ficamos mornos. Quando a vocação para a vida começa a empalidecer e também nós, os delicados, os esvaídos. Aceitar o desafio da arte. Da loucura. Romper com a falsa harmonia, com o falso equilíbrio e assim, depois da morte - ainda intensos - seremos um fantasminha claro de amor.”
Trecho que integra o livro de fragmentos A disciplina do amor da Lygia Fagundes Telles.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Nós merecemos a morte, porque somos humanos e a guerra é feita pelas nossas mãos, pelo nossa cabeça embrulhada em séculos de sombra, por nosso sangue estranho e instável, pelas ordens que trazemos por dentro, e ficam sem explicação.
cecília meireles
domingo, 22 de março de 2009
O vento do meu espírito soprou sobre a vida e tudo que era efêmero se desfez. E ficaste só tu, que és eterno...
Cecilia Meireles
quinta-feira, 12 de março de 2009
Já o disse em Hiroshima Mon Amour: o que conta não é a manifestação do desejo, da tentativa amorosa. O que conta é o inferno da história única. Nada a substitui, nem uma segunda história. Nem a mentira. Nada. Quanto mais a provocamos, mais ela foge. Amar é amar alguém. Não há um múltiplo da vida que possa ser vivido. Todas as primeiras histórias de amor se quebram e depois é essa história que transportamos para as outras histórias. Quando se viveu um amor com alguém, fica-se marcado para sempre e depois transporta-se essa história de pessoa a pessoa. Nunca nos separamos dele. Não podemos evitar a unicidade, a fidelidade, como se fôssemos, só nós, o nosso próprio cosmo. Amar toda a gente, como proclamam algumas pessoas e os cristãos, é embuste. Essas coisas não passam de mentiras. Só se ama uma pessoa de cada vez. Nunca duas ao mesmo tempo.
Marguerite Duras
quarta-feira, 11 de março de 2009
“A vida se retrata no tempo formando um vitral, de desenho sempre incompleto, de cores variadas, brilhantes, quando passa o sol. Pedradas ao acaso acontece de partir pedaços ficando buracos, irreversíveis. Os cacos se perdem por aí. Às vezes eu encontro cacos de vida que foram meus, que foram vivos. Examino-os atentamente tentando lembrar de que resto faziam parte. Já achei caco pequeno e amarelinho que ressuscitou de mentira, um velho amigo. Achei outro pontudo e azul, que trouxe em nuvens um beijo antigo. Houve um caco vermelho que muito me fez chorar, sem que eu lembrasse de onde me pertencera."