imagens

as imagens mostradas aqui são cacos colhidos, na sua grande maioria, de sites da internet. existem cacos colhidos ao acaso, que posso ter deixado de mencionar onde os colhi, tal minha ignorância ou encantamento. desculpem por isso. algumas imagens são minhas, do meu imenso baú de memórias...







quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Esta noite sonhei com vc





...de repente as coisas banais do cotidiano se abrem como portas e somos levados a um outro mundo. Um perfume indefinível? uma fotografia que já vimos vezes sem conta? uma música vindo de longe? um sonho?...
De repente experimentamos êxtase - estamos fora de nós, encantados - somos transportados para um mundo que nem sabemos direito o que seja. Já estivemos lá. Não mais estamos. E queremos voltar. A alma sempre deseja voltar...
Rubem Alves

segunda-feira, 18 de julho de 2011

E os velhos se apaixonarão de novo...




Meu amigo não chegou na hora marcada. Telefonou dizendo que estava num velorio. Chegou atrasado, sorridente. E me contou que fora no velório que lhe viera aquela felicidade. Pensei logo que o morto deveria ser seu inimigo. Não era. Um tio, muito querido, pessoa doce 82 anos. E ele me contou uma estória de um amor… Parece que seu velho corpo não suportara a intensidade da felicidade tardia, e os seus músculos não deram conta do jovem que, repentinamente, dele se apossara.

O amor surgira no tempo em que ele é mais puro: a adolescência. Mas naqueles tempos havia uma outra Aids, chamada tuberculose, que se comprazia em atacar as pessoas bonitas, os artistas, os apaixonados — esses eram os grupos de risco. Pois ela, a tuberculose, invejosa da felicidade dos dois, alojou-se nos pulmões do moço, que teve de ir em busca de ar puro, no alto das montanhas, sanatório, tal como Thomas Mann descreve em seu livro -”A montanha mágica”. Quem ia para tais lugares despedia-se com um “adeus”, um olhar de “nunca mais”. Na melhor das hipóteses, muitos anos haveriam de passar antes do reencontro.

Imagino o sofrimento da jovem dividida: o corpo, naquela casa, a alma por longe terra! Na vida daquela menina, que surda, perdida guerra… (Cecília Meireles).

Valeram mais os prudentes conselhos da mãe e do pai: não trocar o certo pelo duvidoso. Vale mais um negociante vivo que um tuberculoso morto. E aconteceu com ela o que aconteceu com a Firmina Dazza, que de longe e às escondidas namorava o Fiorentino Ariza, na estória de Gabriel García Márquez Amor nos tempos do cólera, que foi obrigada pelo pai a se casar com o doutor Urbino: não se troca um médico por um escriturário. Casou e com ele ficou até que, depois de 51 anos, veio a libertação… Como também o foi o amor de T.S. Eliot e Valerie. Todos eles amores de velhice…

Amor de mocidade é bonito, mas não é de espantar. Jovem tem mesmo é que se apaixonar. Romeu e Julieta é aquilo que todo mundo considera normal. Mas o amor na velhice é um espanto, pois nos revela que o coração não envelhee jamais. Pode até morrer, mas morre jovem. “O amor retribuido sempre rejuvenesce”, dizia Eliot, no vigor de sua paixão, aos 70 anos…

A estória que meu amigo contou era parecida com a do Florentino e da Firmina. Só que a espera foi muito maior. Amor de adolescencia interrompido – cada um seguindo seu caminho, diferentes, outros amores, familias. Mas o tempo não consegue apagar. A psicanálise acredita que no inconsciente não há tempo…Somos eternamente jovens.

Ela casou. Ele casou. Nunca mais se viram. Quando ele tinha 76 anos, ficou viúvo. Quando ela tinha 76 anos (ele tinha 79), ela ficou viúva. E ficou sabendo que ele estava vivo. A curiosidade e a saudade foram fortes demais. Foi procurá-lo. Encontraram-se. E, de repente, eram namorados adolescentes de novo. Resolveram casar-se.

Os filhos protestaram. Eles, os filhos, todos os filhos, não suportam a idéia de que os velhos também têm sexo. Especialmente os pais. Pais velhos devem ser fofos, devem saber contar estórias, devem tomar conta dos netos. Mas velho apaixonado é coisa ridícula. Não combina. Mais detalhes no livro da Simone de Beauvoir sobre a velhice. E houve também aquela estória do programa Você decide: o velho pai, infeliz a vida inteira com a esposa, encontra uma mulher por quem se apaixona. A pergunta: ele deve ou não deve deixar a esposa para viver o novo amor? Você decide… A decisão do público — os filhos, evidentemente: “Não, ele não deve viver o novo amor…” Os filhos sempre decidem contra o amor dos pais. Mas, na nossa estória, os dois velhos deram uma solene banana para os filhos e foram viver juntos em Poços de Caldas.

E de repente, já no crepúsculo, as arvores que todos julgavam secas começama soltar brotos, florescem. Viveram um ano de amor maravilhoso, e ele até começou a escrever poesia e voltou a tocar o violino que ficara por mais de 50 anos sobre um guarda roupa, porque a esposa não gostava de música de violino.Reaprendeu as antigas palavras de amor. Confessou ao sobrinho: “Se Deus me der dois anos de vida com esta mulher, minha vida terá valido a pena…” Bem que Deus quis. Mas o corpo não deixou.Não teve dois anos, teve um…e eu fiquei pensando que esse um ano pode ter sido semelhante àquelas eperiencias raras que a gente tem, e que fazem brotar, do fundo da alma, aquele grito de exultaão, a la Zorba: “Valeu a pena o Universo ter sido criado, só por causa disto!

E foi o mesmo que aconteceu com T.S.Eliot, que só encontrou o seu amor aos 68 anos, e aos 70 anos dizia que, antes do casamento, estava ficando velho. Mas agora se sentia mais jovem do que quando tinha 60.

O amor tem esse poder mágico de fazer o tempo correr ao contrário. O que envelhece não é o tempo. É a rotina, o enfdo, a incapacidade de se comover ante o sorriso de uma mulher ou de um homem. Mas será incapacidade mesmo? Ou será uma outra coisa: que a sociedade inteira ensina aos velhos que o tempo do amor passou, que o preço de serem amados por seus filhos e netos é a renuncia aos seus sonhos de amor? Morreu de amor, como temia o Vinícius.

Compreendi a felicidade do meu amigo. E também fiquei feliz. Aquele velório foi como o acorde que se toca ao fim de uma sonata: a culminancia da felicidade.Interessante que , como regra, o movimento final das sonatas é um allegro. Para tras dos adagios lamentosos! A conclusão deve ser um orgasmo de alegria. E se eu pudesse eu acrescentaria aos textos sagrados, nos lugares onde os profetas tem visões de felicidade messianica, esta outra visão que eu penso até o proprio Deus aprovaria com um sorriso: “E os velhos se apaixonarão de novo…”

Começa aqui o novo final para a estória. Passaram-se semanas. Eram dez horas. Eu estava trabalhando no meu escritório. O telefone tocou. Voz aveludada de mulher do outro lado.

— É o professor Rubem Alves?

— Sim, respondi secamente. Eu sou sempre seco ao telefone.

— Quero agradecer a belíssima crônica que o senhor escreveu com o título: ” …e os velhos se apaixonarão de novo”. O senhor já deve ter adivinhado quem está falando….

— Não, respondi. Por vezes eu sou meio burro. Aí ela se revelou:

— Sou a viúva.

Foi o início de uma deliciosa conversa de mais de 40 minutos, interurbano, em que ela contou detalhes que eu desconhecia. O medo que ela teve quando ele resolveu mandar consertar o violino! Ela temia que os dedos dele já estivessem duros demais… Ah! Que metáfora fascinante para um psicanalista sensível! Sim, sim! Nem os violinos ficam velhos demais, nem os dedos ficam impotentes para produzir música! E aí foi contando, contando, revivendo, sorrindo, chorando — tanta alegria, tanta saudade, uma eternidade inteira num grão de areia… Ao terminar, ela fez esta observação maravilhosa:

— Pois é, professor. Na idade da gente, a gente não mexe muito com sexo. A gente vive de ternura!

O que me fez lembrar a observação de Kundera sobre a necessidade “de salvar o amor da tolice do sexualidade”. A sexualidade pertence à ordem da poesia. Abelardo e Heloisa se amaram até a morte.
Rubem Alves



Se não for hoje,
um dia será.
Algumas coisas, por mais impossíveis
e malucas que pareçam,
a gente sabe,
bem no fundo,
que foram feitas pra um dia dar certo.

caio fernando abreu

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Você sabe?




Você sabe quantas noites
Eu te procurei
Nessas ruas onde andei?
Conta onde passeia hoje
Esse seu olhar

J. C. Costa Netto




Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe....

adriana calcanhoto

domingo, 10 de julho de 2011

onde estará o meu amor?

eu não sei por que




Eu não sei dizer
O que quer dizer
O que vou dizer
Eu amo você
Mas não sei o quê
Isso quer dizer...

Eu não sei por que
Eu teimo em dizer
Que amo você
Se eu não sei dizer
O que quer dizer
O que vou dizer...

zeca baleiro

quinta-feira, 23 de junho de 2011

23 de junho de 1972

E fez-se o gesto, fez-se da loucura do desejo o amor eternizado. Era Deus chegando, dando o esperado, tirando um pedaço por comepensação... Era a felicidade. Eu tive minha fatia doce, na vida... mas acabou, como tudo acaba... acabou...
Tenho em mim pedaços de canções, esperança, essa louca imortal...




Vai, que toda verdade de um amor
O tempo traz
Quem sabe um dia você volta pra mim
E amando ainda mais

Eduardo Gudim

quarta-feira, 22 de junho de 2011

saudades de você





Você sabe quantas noites
Eu te procurei
Nessas ruas onde andei?

Conta onde passeia hoje
Esse seu olhar

Quantas fronteiras
Ele já cruzou
No mundo inteiro
De uma só cidade

Se os seus sonhos
Emigraram sem deixar
Nem pedra sobre pedra
Pra poder lembrar

Dou razão
É difícil hospedar
No coração
Sentimentos assim


(eduardo gudin - paulista)

domingo, 12 de junho de 2011

saudades




Ele vai me possuindo
Não me possuindo
Num canto qualquer
É como as águas fluindo
Fluindo até o fim
É bem assim que ele me quer
Meu namorado
Meu namorado
Minha morada
É onde for morar você

Ele vai me iluminando
Não me iluminando
Um atalho sequer
Sei que ele vai me guiando
Guiando de mansinho
Pro caminho que eu quiser
Meu namorado
Meu namorado
Minha morada é onde for morar você

Vejo meu bem com seus olhos
E é com meus olhos
Que o meu bem me vê
Chico Buarque

quinta-feira, 9 de junho de 2011

sábado, 4 de junho de 2011

quando você chegar




Estou guardando
O que há de bom em mim
Para lhe dar
Quando você chegar
Toda ternura
E todo meu amor
Estou guardando
para lhe dar...

E toda vez
Que você me beijar
A minha vida
Quero lhe entregar
Em cada beijo
Certo ficarei
Que você não
Vai me deixar...

Grande demais
Foi sempre o nosso amor
Mas o destino
Quis nos separar
E agora que está perto
O dia de você chegar
O que há de bom
Vou lhe entregar...

Só vejo a hora
De você chegar
Prá todo o meu amor
Poder mostrar
Mas quando eu
De perto te olhar
Não sei se vou
Poder falar...


Roberto Carlos ( A Volta)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Foste o beijo melhor da minha vida






Foste o beijo melhor da minha vida,

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?

(Olavo Bilac)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

eu te amo porque te amo


Meu amor independe do que me fazes. Não cresce do que me dás. Se fosse assim ele flutuaria ao sabor dos teus gestos. Teria razões e explicações. Se um dia teus gestos de amante me faltassem, ele morreria como a flor arrancada da terra. “Amor é estado de graça e com amor não se paga”. Nada mais falso do que o ditado popular que afirma que “amor com amor se paga”. O amor não é regido pela lógica das trocas comerciais. Nada te devo. Nada me deves. Como a rosa que floresce porque floresce, eu te amo porque te amo.
Rubem Alves

sábado, 30 de abril de 2011

saudade...







Eu venho de uma longa saudade...
clarice lispector

domingo, 24 de abril de 2011




Eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calado um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu deus mas como você me dói de vez em quando.

Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Gosto tanto de chuva...




Dança da chuva

Senhorita chuva
me concede a honra
desta contradança
e vamos sair
por esses campos
ao som desta chuva
que cai sobre o telhado.

Paulo Leminski

sábado, 2 de abril de 2011

Feliz Aniversário




Invento festa, abraço, sensação de presença...
Invento você, ausência mais sentida da vida,
Ausência imperdoável, modificadora de relógios,
calendários, existência...
tina