imagens

as imagens mostradas aqui são cacos colhidos, na sua grande maioria, de sites da internet. existem cacos colhidos ao acaso, que posso ter deixado de mencionar onde os colhi, tal minha ignorância ou encantamento. desculpem por isso. algumas imagens são minhas, do meu imenso baú de memórias...







segunda-feira, 30 de abril de 2012

porque o amor sempre vale a pena



encontrei no blog "pequenas epifanias". Embora seja uma peça publicitária, é lindo demais!

ah... a lua


extraído do blog "pequenas epifanias"

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Quando você vier





"Quando você vier haverá o encontro da sua busca com a minha espera.
E o seu abraço será a moldura do meu corpo.
E a minha boca o pretexto para o seu mais demorado beijo.
E a gente vai brincar de se desmaterializar dentro da música, de desatar auroras.
E eu vou inventar uma madrugada eterna pra quando você tiver que ir embora no dia seguinte.
E você vai inventar um domingo que vai durar pra sempre (...).
E a gente vai rir dessa maldade da demora do tempo pra fazer essa brincadeira de desencontro:
Quase nos deixou descrentes...
A gente vai rir dessa maldade porque o nosso amor será a coisa mais bonita do mundo.
 Marla de Queiroz

segunda-feira, 23 de abril de 2012

domingo, 22 de abril de 2012





'eu até já tentei ser diferente,
por medo de doer, mas não tem jeito:
só consigo ser igual a mim'



Ana Jácomo


Janela, palavra linda.

Janela é o bater das asas da borboleta amarela.
Abre pra fora as duas folhas de madeira à-toa pintada,
janela jeca, de azul.

Eu pulo você pra dentro e pra fora,
monto a cavalo em você,
meu pé esbarra no chão.

Janela sobre o mundo aberta, por onde vi
o casamento da Anita esperando neném,
a mãe do Pedro Cisterna urinando na chuva,
por onde vi meu bem chegar de bicicleta
e dizer a meu pai: minhas intenções com sua filha
são as melhores possíveis.

Ô janela com tramela, brincadeira de ladrão,
clarabóia na minha alma,
olho no meu coração.


Adélia Prado




Até morrer estarei enamorada
de coisas impossíveis..."



Cecília Meireles




Sou inquieta, áspera
E desesperançada
Embora amor dentro de mim eu tenha
Só que eu não sei usar amor
Às vezes arranha
Feito farpa

Se tanto amor dentro de mim
Eu tenho, mas no entanto continuo inquieta
É que eu preciso que o Deus venha
Antes que seja tarde demais

Corro perigo
Como toda pessoa que vive
E a única coisa que me espera
É exatamete o inesperado

Mas eu sei
Que vou ter paz antes da morte
Que vou experimentar um dia
O delicado da vida
Vou aprender
Como se come e vive
O gosto da comida


Clarice Lispector



Recordo-te


E és a mesma
Ternura quase impossível
De suportar
Por isso fecho os olhos
(O amor faz-me recuperar incessantemente o poder da
provocação. É assim que te faço arder triunfalmente
onde e quando quero. Basta-me fechar os olhos)
Por isso fecho os olhos
E convido a noite para a minha cama
Convido-a a tornar-se tocante
Familiar concreta

E sob a forma desejada
A noite deita-se comigo
E é a tua ausência
Nua nos meus braços

Ah, meu sol, meu bem




, meu sol, meu bem
Minha vida escureceu
Desde que você
Não quis mais saber de mim
Hoje, eu só fiquei
Com a imensidão do céu
De estrelas mil
Que se esforçam pra luzir meu vazio ...
(praia nua - Jorge Vercillo)

soneto

alcança essa lua de ontem pra mim

                               lua cheia sobre Campinas
Alcança essa lua de ontem pra mim
embrulha tudo no mesmo papel
eu quero essa lua de ontem pra mim
Embrulha tudo no mesmo papel
a lua ontem estava amarela e roliça
que nem muzzarela num disco de pizza
Empada de botequim
Um chopp um ovo no sal
um pingo de leite um pastel
um sonho um pão doce um pudim
uma cocada um quindim
  um papo de anjo no mel
um sonrizal no horizonte um
 alka seltzer no céu

alcança...

Alcança essa lua (letra de Cesar Brunetti enviada por e mail  pela lindinha Cibele Troyano que canta lindamente, fazendo homenagem pra querida Miriam Batucada}




sábado, 21 de abril de 2012

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Serás o meu amor




Consta nos astros, nos signos, nos búzios
Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás
Serás o meu amor, serás a minha paz
Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas
Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos dados oficiais
Serás o meu amor, serás a minha paz
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz
Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela
Está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um cartaz
Serás o meu amor, serás a minha paz...


Chico Buarque

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Seu amor, quando acabou....



Mal de Raiz
Miltinho e Paulo Cesar Pinheiro

Seu amor, quando nasceu,
na garganta a voz fechou.
Nem casca de aroeira resolveu
e o amor infeccionou.

Seu amor, quando chegou,
a pressão logo subiu.
Nem chá de graviola: não baixou,
nem mais o amor saiu.

Tive febre, tomei losna, hortelã,
fiz emplastro e nada adiantou.
Fiz compressa, cataplasma, quinina:
Que nada! Era febre de amor!

Seu amor, quando bateu,
foi que nem pedra no rim.
Nem chá de quebra-pedra me valeu,
nem esse amor tem fim.

Seu amor, quando pegou,
foi que nem doença ruim.
Nem mel, leite, agrião, nem mesmo
a dor leva esse amor de mim.

Me queimei, botei babosa, batata,
manteiga, azeite, não passou.
Fiz ungüento, fiz pomada, que nada:
queimada era fogo de amor.

Seu amor, quando doeu,
foi o bicho que ferrou.
Nem com fumo de rolo protegeu
o vírus desse amor.

Seu amor, quando acabou,
o meu peito adoeceu.
Nem catuaba em casca me salvou
depois que o amor morreu...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

2 de abril. Feliz aniversário!


"Confesso que me dá uma saudade irracional de você. E tenho vontade de voltar atrás, de ligar, de te dizer mil coisas, e cair em suas mãos, sem me importar com nada, simplesmente entregar-te meu coração. Mas não, renuncio, me controlo e digo para mim mesmo que não é assim, que não pode ser, que você se foi, e não volta".


Caio Fernando Abreu




Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
abrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
buscar te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

Secreta Mirada Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.